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Doação de esperma ainda enfrenta preconceitos no Brasil
Quinta, 10 de dezembro de 2009, 12h48
A imprensa norte-americana noticiou recentemente o aparecimento de um mercado
informal de esperma nos Estados Unidos, onde jovens altruístas ofereciam seu sêmem
gratuitamente a mulheres que queiram eventualmente engravidar.
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Lá fora, esse tipo de oferta aparece aos montes em sites famosos como Craiglist e em
grupos no Yahoo, além obviamente em locais como the Free Fertility Clinic e
Feelingbroody.com.
Os motivos que levam essas pessoas a oferecer sua semente são variados, e vão de
ajudar a comunidade a escapar dos inúmeros exames que as clínicas de doação
exigem para aprovação de um exemplar , e que pode acabar frustrando a quem quer
fazer o bem.
E com certeza estamos falando de gente que quer ajudar mesmo mães solteiras,
lésbicas e casais que não podem gerar filhos a realizar seu sonho, porque nos Estados
Unidos as clínicas especializadas pagam até 50 dólares pela doação.
E essa indústria é tão forte que existe até um site onde você vê a foto do doador e se
ele é parecido com alguma celebridade, ou seja, ideal para aquelas mulheres que
sonham em gerar um George Clooney como filhote.
No Brasil a coisa muda totalmente de figura, uma vez que, pela legislação, nenhuma
doação pode ser cobrada, seja de sêmen, sangue ou órgãos, para justamente evitar
que pessoas arrisquem sua vida ganhando dinheiro com isso ou que escondam
informações importantes de seu histórico médico com receio de serem recusados.
Assim, no caso de espermatozóides fortes o bastante para conseguir fecundar um
óvulo, tudo depende da caridade de estranhos.
A médica Vera Feher montou há cerca de 19 anos o banco de esperma do Hospital
Albert Einstein em São Paulo. Há dois anos, quando o hospital resolveu se concentrar
somente em clinicar e abandonou o banco, ela fundou a Pro-Seed, um dos mais
modernos centros de coletas de esperma do Brasil.
Segundo ela, hoje o número de novos doadores caiu bastante. Se antes ela conseguia
de cinco a seis novos altruístas por mês, hoje esse número não passa de dois. "As
pessoas tem muito receio de que um dia alguém vai encontrar uma criança parecida
consigo e que tenha que assumir uma paternidade forçada, mas isso não pode
acontecer porque as doações são 100% anônimas. As clínicas de fertilização assistida
recebem a amostra com um número apenas. O doador nunca é identificado", afirmou
a especialista.
Casais ou mulheres solteiras que queiram engravidar podem optar hoje por dois
processos: o de inseminação artificial, que custa em torno de R$ 9.600 e o de
fertilização in vitro (de R$ 12 a 13 mil).
Obviamente que o sêmen escolhido vai respeitar as características físicas e étnicas de
quem o está adquirindo e o doador geralmente deverá ter os mesmos traços.
Outro ponto que afasta potenciais fornecedores de esperma é o rigor do processo, já
que o homem deve fazer um espermograma e exame de sangue antes da doação em
si (a clínica se encarrega disso e não há custo ao doador).
Entre as primeiras entrevistas, esses exames e a doação, pode-se levar cerca de seis
meses. O que acontece é que existe um grande e necessário rigor para escolha de um
bom doador.
Certas doenças na família como diabetes e câncer, entre outras, são motivos para
descartar um homem, assim como enfermidades hereditárias. Além disso, somente
20% dos espermas doados são aceitos no final. "Um homem tem em média 30
milhões de espermatozóides por mililitro e cerca de 50% deles tem mobilidade
progressiva, ou seja, nadam. Um esperma ideal para doação deve ter 80 milhões de
espermatozóides por mililitro com a mesma porcentagem de nadadores", explicou
Vera.
Isso não deveria, porém afastar quem quer ajudar pessoas a realizar o sonho da
maternidade ou paternidade. No Brasil, aliás, os doadores constantes são justamente
aqueles que já doam seu sangue e que já se dispuseram a entregar seus órgãos no
post-mortem, no geral homens mais maduros e que tem ciência da finalidade de um
banco de esperma.
Completando esse público existem também aqueles homens que, por conhecerem
alguém na família ou no círculo de amizade que tem problemas de fertilidade, acabam
se motivando para ir a uma clínica como a Pro-Seed.
Homens entre 18 e 45 anos, heterossexuais (o processo segue as mesmas regras da
doação de sangue, ou seja, homossexuais estão descartados) podem fazer os exames
gratuitamente nas clínicas de doação.
A coleta é feita com o indivíduo sozinho em uma sala própria através de masturbação
(não existe nenhum outro método, especialmente um chinês que circulou pela
internet), ou seja, é fácil e não causa efeitos colaterais, especialmente o aparecimento
de uma criança na sua porta anos depois gritando "papai" (lembramos mais uma vez
que o doador nunca é identificado).
Assim, através desta prazerosa boa ação, você poderá ajudar muita gente. E,
finalmente, lembre-se das palavras do sensacional grupo inglês de comédia, Monty
Python no filme O Sentido da Vida: todo esperma é sagrado, todo esperma é ótimo.
Especial para Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Vida e Estilo
http://vidaeestilo.terra.com.br/homem/interna/0,,OI4147867-EI12827,00.html
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