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1) Como você soube que poderia doar sêmen?
 
Através de um anúncio em jornal publicado pela clínica. Eu fiquei pensando um bom tempo a respeito e o que me fez decidir sobre a doação foram as referências positivas da PROSEED na internet.
 
2) O que te motivou a se tornar um doador?
 
A minha história tem semelhanças com a do personagem Carl Fredericksen, do filme "Up - Altas Aventuras". Minha mulher é muito bonita e a convivência que temos é ótima. Infelizmente, ela não pode ter filhos.
 
A doação seria uma forma - para mim, pelo menos - de contornar esse problema.
 
3) Você viveu algum dilema pelo fato de saber que contribuiria para a formação de novas vidas - mas que não participaria ou acompanharia o desenvolvimento delas?
 
Não existe dilema. Eu sei que irei acompanhar o desenvolvimento dessas novas vidas e estou trabalhando pesado para tornar o mundo melhor para elas. Para você ter uma idéia, estou envolvido em projetos de ecologia e de software livre.
 
Eu jamais obrigaria qualquer filho a participar desses movimentos. Mas se a criança se interessar, ela com certeza irá me encontrar, como aconteceu com o escoteiro que se encontrou com o velho Fredericksen.
 
Para ser sincero, isso me dá um ânimo adicional para participar desses projetos: sei que estou trabalhando para os filhos. Como desconheço quem são, todas as crianças são, de algum modo, "meus" filhos.
 
4) Você tem filhos? É casado? Quantos anos tem? Em que área atua profissionalmente?
 
Não tenho filhos. Também não sou casado "oficialmente". Prefiro assim: a gente tem que reafirmar o casamento a cada manhã.
 
Eu acho isso mais honesto e até mais saudável nos meus 40 anos de idade. Sou analista de sistemas.
 
5) Segue alguma religião? Qual a posição dessa sua crença em relação à doação de sêmen?
 
Eu sou católico. Jamais me preocupei em saber o que pensa o Vaticano a respeito.
 
Mas, se eu cometi algum "pecado" nesse caso, não houve maldade de minha parte.
 
6) Aceitaria usar sêmen doado para ter filhos, caso fosse estéril?
 
Existe algo chamado "instinto materno" e, em muitas mulheres, isso é tão forte que seria realmente uma pena se elas não pudessem viver essa experiência.
 
Nesse caso, eu não me incomodaria: a criança seria muito, muito amada e a mãe seria muito, muito feliz.
 
7) Há quanto tempo doa? Quantas vezes já doou?
 
Faz uns oito meses, mais ou menos. A quantidade de vezes não me importa: se a clínica precisar, é só me chamar.
 
8) Sua família sabe? O que eles pensam disso?
 
Eis uma boa pergunta, mas eu acho que depois dos 40 anos, a gente tem - ou deveria ter - condições de tomar algumas decisões independente da opinião da família.
 
Qualquer que fosse o pensamento dela a esse respeito, seria solenemente ignorado.
 
9) Você tem curiosidade de saber se tem algum "filho"? Gostaria de conhecê-lo, se a lei permitisse?
 
Francamente, nenhuma curiosidade. Se for para conhecer "meu" filho, isso vai acontecer de maneira semelhante ao encontro do escoteiro com o velho Fredericksen. E aí vamos viver nossas próprias "Up - Altas Aventuras". Escrever nossas próprias histórias.
 
Afinal, por que restringir a possibilidade de viver a vida de maneira intensa apenas com o "meu" filho? Há bilhões de crianças, bilhões de destinos e possibilidades.
 
Por acaso, no meio delas está o "meu" filho e o "seu" filho. As aspas são de propósito: ninguém, na verdade, tem a posse de ser humano algum.
 
10) Peço, por fim, que você se descreva fisicamente, para que eu possa ter uma ideia do seu perfil.
 
Eu sou branco, olhos verdes, estatura mediana. O trabalho sedentário com os computadores, combinado com um certo talento para cozinhar, me deixou um pouco acima do peso.
 
Isso tudo me dá um ar de bonachão, que eu aprecio.

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