Doação de esperma ainda enfrenta preconceitos no Brasil
Quinta, 10 de dezembro de 2009, 12h48
Doação de sêmen: prazer em ajudar
Em São Paulo, banco de esperma atende a 40 pedidos mensais de casais
estéreis em busca de filhos. Mas precisa de doadores
EDUARDO ZANELATO
Entrevista com um Doador
Pais Anônimos
08/11/09 - Estadão
Procuram-se doadores
07/11/09 - Jornal da tarde
Elas decidem como e quando ser mãe
21/08/09 - Revista Isto é
JC e-mail 2835, de 17 de Agosto de 2005.
Paulistano perde espermatozóides
Nos últimos dez anos, concentração de gametas nos homens de SP caiu um terço, segundo dados do Hospital Albert Einstein
Luciana Garbin escreve para “O Estado de SP”:
A concentração de espermatozóides no sêmen dos paulistanos caiu um terço nos últimos dez anos, de acordo com dados do Banco de Sêmen do Hospital Israelita Albert Einstein, que atende cerca de 80 clínicas em todo o Brasil.
Nesse período, a quantidade encontrada nas amostras recebidas diminuiu de cerca de 100 milhões a 150 milhões para 30 milhões a 50 milhões por doador.
Os motivos, por enquanto, ninguém sabe. Mas especialistas do centro já planejam começar a pesquisar o problema para, se necessário, armar estratégias de combate.
"Enquanto se mantiverem os atuais padrões, os homens continuarão férteis. Mas se a tendência continuar, não sei onde chegaremos", diz a coordenadora do Banco de Sêmen, Vera Beatriz Fehér Brand.
Entre as hipóteses para explicar o fenômeno estão stress, poluição, consumo de produtos industrializados, uso de medicamentos e produtos para queda de cabelo e exposição a radiações. Coincidência ou não, o único doador do Rio, que vive na praia, atinge a média de 150 milhões de espermatozóides. E ainda não foi afetado pelo drama que atinge outros doadores do Einstein, a maioria de SP.
Para Plínio Moreira de Góes, da Clínica Urológica do Hospital das Clínicas da USP, não há dados suficientes para detalhar diferenças no sêmen de habitantes de cidades maiores ou menores. Mas há o consenso de que a exclusividade não é paulistana. Trata-se, sim, de um problema mundial.
Para descobrir o padrão seminal do brasileiro, a clínica está fazendo um levantamento com pacientes e os resultados devem ser apresentados em alguns meses. O plano é repetir a pesquisa daqui a cinco anos. "Aí teremos mais subsídios para discutir o assunto", acredita.
Especialistas defendem que também se debatam as razões para a diminuição dos espermatozóides. "A cada dia surgem novas técnicas para socorrer a queda de fertilidade, mas é dramático. O problema é a influência do ecossistema", afirma o secretário-executivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e diretor médico da Profert, Dirceu Mendes Pereira.
Estilo de vida
Além do stress e de condições atmosféricas adversas, ele destaca os agrotóxicos, o PCB - substância tóxica encontrada nos plásticos de embalagens, sobretudo após serem aquecidos - e outras toxinas da vida moderna como inimigos de um sêmen de qualidade.
"São coisas que as pessoas vão incorporando em sua dieta e fazem um estrago tremendo nas mitocôndrias e no DNA dos espermatozóides, não só causando a morte celular como danos à motilidade e morfologia", destaca. "Muito sensíveis e vulneráveis à ação de radicais livres, eles são os primeiros a serem prejudicados."
Na alimentação, algumas dicas para preservar os espermatozóides são, segundo Pereira, comer alimentos orgânicos, ser cuidadoso na escolha dos peixes, beber bastante água para eliminar toxinas e incluir sementes de linhaça, gergelim, abóbora e girassol no cardápio, além de amêndoas, nozes e castanha-do-pará.
"O que faz mal para o rim, o baço e o fígado faz mal também para ovários e testículos", confirma Edson Borges Júnior, especialista em reprodução humana e diretor do Fertility Centro de Fertilização Assistida, que, a exemplo do Einstein, mantém um banco de sêmen.
Ele lembra que não só a fertilidade masculina como a feminina saem perdendo com fatores ambientais adversos e, apesar da dificuldade em mensurar os danos, que cresce pela própria variação natural da produção espermática, já se sabe que o fator ambiental muda o modo de os genes funcionarem.
Metade dos doadores no Einstein acaba hoje rejeitada por não atingir o mínimo necessário de espermatozóides. Pelos padrões da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, é preciso ter pelo menos 50 milhões deles, com 50% de mobilidade, ou seja, 25 milhões de móveis.
"Quando a gente encontra um desses com 150, 160 milhões, pula de alegria", brinca Vera Beatriz, destacando ainda que, sem esse mínimo, o uso das amostras para inseminação artificial de outros casais se impossibilita, já que, para serem congeladas, têm de ser diluídas numa solução crioprotetora, onde apenas 50% dos espermatozóides sobrevivem.
"Depois que descongelo, pelo menos 25% deles têm de continuar móveis. Se não, não vai dar resultado", explica.
(O Estado de SP, 17/8)
Fonte: Jornal da Ciência
NOTÍCIA 2
Em 2004, um garoto americano de 15 anos mandou fazer seu mapa genético num laboratório. De posse das informações, realizou uma busca minuciosa em arquivos genealógicos e na internet à procura de um padrão semelhante de seu cromossomo Y – que fornece dados genéticos diretamente de pai para filho. Em nove meses, o adolescente, fruto de uma inseminação artificial por doação de esperma, localizou dois homens com as características que buscava, cruzando-as com as informações que já sabia sobre o doador. Não demorou muito mais para ele descobrir quem era seu pai biológico.
A história não é comum, mas abre um precedente para uma discussão que há anos ocorre em diversos países: afinal, crianças geradas a partir de doação de sêmen têm o direito a conhecer a identidade do doador? Para quem defende a idéia, não está em jogo apenas a disponibilidade de dados genéticos para futuros problemas de saúde, mas também os aspectos psicológicos das pessoas que buscam uma “identidade pessoal” – a exemplo do que ocorre com crianças adotadas que sentem necessidade de conhecer os verdadeiros pais.
O primeiro país a acabar com o anonimato foi a Suécia. Até meados dos anos 1980, os arquivos médicos dos doadores eram destruídos e os casais aconselhados a não revelarem a seus filhos sua verdadeira origem.
Em 1985, a lei garantiu às crianças nascidas de inseminação o direito de conhecer suas raízes biológicas. O resultado foi o surgimento do chamado “turismo da fertilidade”. Vários casais com problemas para ter filhos estão buscando doadores em países vizinhos, como a Dinamarca. Eles querem não apenas encontrar doadores – artigo raro em seu país – mas também fugir da legislação sueca por temer uma rejeição do futuro filho.
Uma discussão semelhante ocorre atualmente na Inglaterra, onde, desde abril de 2005, as crianças geradas por meio de doação de sêmen terão o direito a conhecer a identidade do seu pai biológico quando completarem 18 anos – a lei não é retroativa, portanto as identidades só serão conhecidas a partir de 2023, e quem doou esperma antes desta data continua com o anonimato garantido. Os adolescentes poderão então obter dados como data e local de nascimento, além de nome e endereço do doador registrados à época da doação.
O número de doadores vem caindo a cada ano no Reino Unido. Mas os dados da Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA), órgão governamental que regula a atividade, registraram um total de 143 doadores entre abril e outubro de 2005 – número maior comparado ao mesmo período de 2004, antes de a lei entrar em vigor: 133 doações. John Paul Maytum, chefe de relações públicas da HFEA, diz que o principal problema é que muitos homens que gostariam de doar sêmen não encontram informações de como fazê-lo.
A British Fertility Society (BFS) tem planos para realizar uma grande campanha nacional e habilitar mais clínicas para receber doações. Em entrevista à BBC News, o dr. Allan Pacey, secretário da BFS, revelou que a estratégia já vem sendo idealizada desde o começo dos anos 90.
No Brasil, é quase unânime entre os médicos a necessidade do anonimato dos doadores. A resolução no 1358/92 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que institui normas éticas para a utilização de técnicas de reprodução assistida, estabelece que “os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa”. O documento prevê que as informações sobre doadores serão reveladas em situações especiais, por motivações clínicas, exclusivamente para os médicos. A identidade civil continuará sempre sob sigilo. “Essa identificação, apenas genética, serve apenas para prevenir patologias”, explica o infectologista Caio Rosenthal, conselheiro da Câmara Técnica Interdisciplinar de Bioética do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). A entidade, diz ele, é totalmente contra a identificação. A opinião é endossada por praticamente toda a classe médica do país. Vera Féher Brand, coordenadora do Banco de Sêmen do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, revela que o hospital consulta entre 10 e 15 homens por mês, que procuram a instituição para doar sêmen. Destes, apenas dois ou três tornam-se doadores de fato, após uma série de entrevistas e exames. Ela acredita que o fim do anonimato traria problemas tanto para os doadores como para os casais. “Os doadores não querem saber como seu sêmen será usado, e o casal que o recebeu quer apenas que o filho seja deles”, diz.
Em 1999, o Projeto de Lei no 90, que dispunha sobre a reprodução assistida, previa “a possibilidade de a identificação do doador vir a ser conhecida pela criança e, em alguns casos, de o doador vir a ser obrigado a reconhecer a filiação dessa criança”. Hoje, o Projeto de Lei, de autoria do então senador Lúcio Alcântara,está em pauta na Câmara Federal com o número PL 1184/2003, mas foi excluído o reconhecimento de filiação.
Também na Câmara, outros projetos ainda em tramitação pretendem modificar o Código Civil quanto à reprodução assistida, prevendo a identificação dos doadores de gametas. Um deles é o PL 4686/204, de autoria do deputado José Carlos Araújo; o outro é específico sobre o assunto: o PL 120/2003, de autoria do deputado Roberto Pessoa, que prevê que “a pessoa nascida de técnicas de reprodução assistida têm o direito de saber a identidade de seu pai ou mãe biológicos”, e exclui essa mesma pessoa de direitos sucessórios. Dois outros projetos, no entanto – um de autoria da deputada Maninha (PL 2061/2003), outro do deputado José Aristodemo Pinotti (PL 1135/2003) –, mantêm o anonimato para doação ao regular outros aspectos da reprodução assistida. A polêmica, pelo menos no Congresso, promete continuar.
Fonte: Dialogo Médico
NOTÍCIA 3
A proliferação dos vikings.
Maior banco de sêmen do mundo, o dinamarquês Cryos exporta loirinhos de olhos azuis.
Imagine-se um planeta crescentemente habitado por gente alta, loira e de olhos azuis. Levando-se em conta a demanda de casais inférteis por "produtos" importados da Dinamarca, onde se encontra o maior e mais bem-sucedido banco de sêmen do mundo, o Cryos International, a perspectiva não parece tão absurda assim – embora ainda muito remota. Inteiramente composto de esperma de dinamarqueses, o Cryos registrava em seus arquivos, no fim do ano passado, 220 doadores "ativos" (ou seja: cuja contribuição já saiu do tubo de ensaio) e 324 "inativos", cujo esperma permanece congelado e pronto para uso na Dinamarca e em outros quarenta países. A fonte de matéria-prima do banco são universitários: todos os dias, dezenas de estudantes se submetem a uma bateria de exames nos três centros mantidos pelo Cryos. Se aprovados – só 8% a 10% são; os demais costumam sair arrasados –, efetuam a doação, embolsam o equivalente a 115 reais e vão embora. O segredo do sucesso do banco, diz seu fundador, Ole Schou, é a tecnologia avançada. "Desenvolvemos uma técnica com a qual pelo menos 30% das mulheres fertilizadas engravidam. Nos outros centros, a taxa não passa de 10%", afirma. Isso e, claro, a possibilidade de preencher o bercinho com um pequeno e adorável viking.
A doação de esperma na Dinamarca costuma ser encarada como ato natural e protegida pelo mais absoluto anonimato – esta, uma condição que fica cada vez mais rara no mundo à medida que a Justiça de diversos países reconhece o direito de filhos adotivos ou concebidos por métodos artificiais a conhecer os pais biológicos. "A realidade é que os doadores não querem que seus 'filhos' entrem em contato com eles", diz Schou. Cada país estabelece limites para o número de crianças nascidas do sêmen de um mesmo doador, a fim de evitar hipotéticas relações entre irmãos que desconhecem a origem em comum. Na Dinamarca, o limite é 25, mas o Cryos tem um doador que é "pai" de 101 crianças em diversos países. No Brasil, não passa de duas crianças por milhão de habitantes, mas raramente um doador chega a tanto. "A média é de no máximo dez crianças no país todo", avalia Vera Fehér Brand, coordenadora do maior banco de sêmen brasileiro, mantido pelo Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Aqui, as doações são gratuitas e anônimas e a importação e a exportação, proibidas, a não ser em casos extremos. Conseqüentemente, o estoque dos bancos costuma permanecer no limite da demanda, ou abaixo (o Einstein tem no momento apenas 25 doadores em seu banco). O grupo mais problemático, diz Vera, é o dos orientais, no qual os doadores são raros, mais ainda se consideradas as demandas: casais japoneses exigem doadores idem, e o mesmo acontece com chineses e coreanos. Ciente dessa lacuna, o Cryos deve abrir nos próximos dois anos franquias para acolher doadores na Ásia e na África, onde bebês com cara de viking provocariam um certo espanto.
Fonte: Veja
NOTÍCIA 4
Onde estão os bebês gênios.
Filhos do banco de sêmen dos prêmios.
Nobel são jovens de inteligência normal
Um multimilionário americano causou alarido internacional no fim dos anos 70 com um projeto controverso: o de criar uma legião de crianças superdotadas por meio de inseminação artificial com o esperma doado por cientistas brilhantes, de preferência ganhadores do Prêmio Nobel. Até 1999, quando o banco de sêmen criado por ele fechou as portas, havia produzido 240 bebês. Na semana passada, a segunda criança a nascer e a única a ter sua identidade revelada publicamente, o americano Doron Blake, completou 20 anos. A pergunta óbvia é se ele corresponde às expectativas de genialidade. Se depender da comprovação de pendor para a ciência pura ou de realizações intelectuais precoces, a resposta é não. Nada do que fez até agora indica talento fora de série. Blake estuda religião em uma universidade de segundo time e é apaixonado por taoísmo, budismo e wicca, uma pseudo-religião que invoca os princípios da bruxaria. Vegetariano, toca cítara e é ávido leitor dos livros infantis da série Harry Potter. "Eu sinceramente acho essa idéia de produzir bebês gênios uma coisa meio maluca", disse o jovem em entrevista recente. "Nunca fiz nada de especial e não acho que a inteligência seja uma característica capaz de tornar uma pessoa melhor que outra."
Na infância, ele viveu como o personagem principal do filme O Show de Truman. Cada passo seu era acompanhado pela imprensa e dividido com milhões de curiosos de todo o planeta. Blake estima que já tenha dado mais de 100 entrevistas. Ele transformou o assédio dos jornalistas em meio de sobrevivência e cobra 1.500 dólares por entrevista. O preço aumenta se incluir uma conversa com sua mãe, Afton Blake, uma psicóloga espalhafatosa que mora em Los Angeles. Aos 6 anos, ele foi submetido a um teste de inteligência que apurou Q.I. de 180 – qualquer escore acima de 130 é excepcional. Mas isso, no final das contas, não significa grande coisa. Os testes são controversos porque não há consenso sobre que habilidades constituem inteligência. Mesmo se soubéssemos, ficaria em aberto se o Q.I. representa adequadamente essas habilidades. Os nomes dos doadores e dos bebês gerados pelo Repository for Geminal Choice – nome oficial do banco de sêmen dos prêmios Nobel – são mantidos em sigilo. Mas nem por isso estamos sem notícias deles.
Desde o início de 2001, o jornalista David Plotz, da Slate, revista americana na internet, já localizou quinze dessas crianças, com idade entre 7 e 20 anos. Ele também entrevistou nove mães e um pai adotivo. Identificou ainda sete doadores e, no começo de agosto, promoveu o encontro de um deles com a filha gerada com seu sêmen. "Esses meninos e meninas não têm nada de bizarro ou qualquer traço que os transforme em supercrianças", escreveu Plotz. "Mesmo as famílias e os doadores não parecem convencidos de que a idéia de aprimoramento genético proposta pelo projeto funcione de fato." Robert Graham, o milionário que criou o banco de sêmen, era obcecado por conceitos de eugenia perigosamente próximos aos dos nazistas. A diferença é que em lugar de exterminar as pessoas que considerava de padrão inferior, como fez Hitler, ele propunha a reprodução maciça daquelas que, em sua opinião, seriam superiores. Graham acreditava que o desenvolvimento da medicina e dos programas de amparo social tinham virado do avesso as leis darwinistas de seleção natural, permitindo a sobrevivência e a reprodução dos mais fracos e menos inteligentes. A idéia de seu banco era oferecer a contrapartida a esse "fenômeno" gerando artificialmente americanos – sim, ele só se preocupava com os Estados Unidos – geneticamente superiores.
Para isso, o multimilionário procurou os prêmios Nobel. Conseguiu convencer três a cinco deles. Só um – William Shockley, inventor do transistor, Nobel de Física de 1956 e racista notório – admitiu participar. De qualquer forma, a maioria dos premiados era velha demais para fins reprodutivos. Graham precisou recorrer a professores e estudantes universitários e atletas. Estima-se que tenha contado com meia centena de doadores. O sêmen era gratuito, mas a clínica exigia que a mulher estivesse casada com um homem estéril, fosse bem-educada e com boa situação financeira. Afton, a mãe de Blake, acredita ter sido aceita por ter jurado que seu propósito era contribuir com a humanidade gerando um bebê gênio. Foi inseminada com o esperma de um professor universitário apaixonado por música clássica, de boa aparência e adepto da natação. Da ficha constava um pequeno defeito: hemorróidas. A pesquisa da Slate mostrou que, na realidade, as mulheres davam pouca atenção ao discurso eugenista. Eram atraídas pelas condições excepcionais de seleção dos doadores porque queriam bebês saudáveis – e não superdotados.
Ainda bem que não esperavam genialidade, pois as chances de nascer uma criança excepcionalmente bem-dotada eram as mesmas de qualquer outra concepção. "As características físicas são, com certeza, herdadas pela criança. Quanto a particularidades como inteligência ou dotes artísticos, ninguém sabe se são transmitidas ou não", afirma Vera Fehér, supervisora do Banco de Sêmen do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Graham previu a possibilidade de um encontro futuro entre a criança e o pai biológico. A clínica servia de intermediária na troca de correspondência entre o pai biológico e a família do bebê. Toda a comunicação terminou quando Graham morreu (devido a uma queda no banheiro), em 1997. O doador que encontrou sua filha biológica, depois de estabelecer contato por meio da Slate, havia mantido correspondência com ela, com troca de presentes e fotos. Hoje ele tem 70 anos e a menina, 11. O doador é pai de outras sete meninas e onze meninos. Outro garoto localizado, de 16 anos, não gosta de ciências e sonha ser lutador profissional. Só no ano passado soube de sua origem e decidiu levá-la a sério. "Comecei a me concentrar mais nas minhas tarefas escolares. Acredito agora que tenho potencial e que no passado era apenas preguiçoso", declara.
A inseminação artificial por meio de doação de esperma congelado foi a primeira tecnologia utilizada em grande escala para permitir que homens estéreis pudessem ter filhos. Pode existir nos Estados Unidos 1 milhão de crianças geradas por bancos de sêmen. No Brasil, estima-se que só 1% dos casais inférteis recorra ao método, atualmente um recurso menor dentro do arsenal de técnicas de reprodução artificial. Mesmo assim, a questão levantada pelo banco de sêmen dos prêmios Nobel continua pertinente: podemos melhorar nossos filhos? A ciência ainda não é capaz de garantir aos pais o nascimento de bebês mais inteligentes do que teriam naturalmente, mas estamos a um passo da clonagem de seres humanos. E sabe-se lá de que outras novidades.
Fonte: Daniel Hessel Teich
NOTÍCIA 5
E quanto ao Espírito não sabes donde vem Paulo da Silva Neto Sobrinho.
Na Revista Veja Edição 1767, de 04 de setembro de 2002, encontramos uma reportagem intitulada “Onde estão os bebês gênios – Filhos do banco de sêmen dos prêmios Nobel são jovens de inteligência normal”, relatando sobre o multimilionário americano Robert Graham que criou um banco de sêmen. Até aí tudo bem, pois nos dias de hoje isso é normal. Mas, o que difere esse dos outros é que ele deveria ser formado com esperma de “cientistas brilhantes, de preferência ganhadores de Prêmio Nobel”, na esperança de se formar uma legião de crianças superdotadas.
O repórter Daniel Hessel Teich, relata que na semana passada foi identificada uma pessoa nascida cujo esperma utilizado foi o deste banco de sêmen. Mas, não deu o resultado esperado, ou seja, a pessoa não tem nenhuma genialidade.
O jornalista americano David Plotz, diz a reportagem, já localizou quinze crianças, e segundo suas palavras: “Esses meninos e meninas não têm nada de bizarro ou qualquer traço que os transforme em supercrianças”.
A opinião de Vera Fehér, supervisora do Banco de Sêmen do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, sobre a questão da transmissão da genialidade é: “As características físicas são, com certeza, herdadas pela criança. Quanto a particularidades como inteligência ou dotes artísticos, ninguém sabe se são transmitidas ou não”.
Poderemos responder a isso, de uma maneira bem simples: a própria história diz que não. Os pais dos grandes gênios, que surgiram até hoje na humanidade, foram todos eles grandes gênios? Por sua vez, todos os filhos dos gênios herdaram, essas características, de seus respectivos pais? Para ambas perguntas, a resposta é não. Assim, se levantássemos as características dos homens de inteligência excepcional, e as tabulássemos, teríamos comprovado, por metodologia estatística, que não há transmissão de genialidade dos pais para os filhos como uma regra geral.
Ao ler essa reportagem, lembramo-nos do colóquio de Jesus com um fariseu, chamado Nicodemos, que ao ser indagado sobre o que era necessário fazer para conquistar o reino dos céus, diz ao seu interlocutor: “O que nasce da carne é carne; o que nasce do Espírito é espírito”. Ora, é bem claro que o corpo físico procede do corpo, a hereditariedade prova isso de maneira incontestável, mas quanto ao espírito não há nenhuma herança, pois os espíritos procedem do Espírito, ou seja, têm como sua origem a Divindade, isso se bem entendemos as palavras de Jesus, quando afirma: “Deus é Espírito”.
Ocorre-nos, agora, o seguinte. Se não herdamos de nossos pais a genialidade, como se explicaria a existência dos gênios? Sendo Deus justo, ou seja, o que dá a um dá a todos, só encontraremos a explicação para este fato na pré-existência do espírito e na reencarnação.
O repórter, ao concluir seu artigo, diz: “A ciência ainda não é capaz de garantir aos pais o nascimento de bebês mais inteligentes do que teriam naturalmente, mas estamos a um passo da clonagem de seres humanos. E sabe-se lá de que outras novidades”. Nós afirmamos que nunca a ciência conseguirá transmitir por meios hereditários a inteligência de uma pessoa à outra. A clonagem, tão debatida nos dias atuais, não duplicará nada mais que corpos físicos, já que o espírito não será clonado. Como temos tanta certeza? As próprias leis de Deus. Veja, que os gêmeos univitelinos, diga-se de passagem, uma clonagem natural, embora fisicamente idênticos, possuem caráter, gosto, comportamento, inteligência totalmente diferentes. Se nessa clonagem natural, Deus, que tudo pode, não clonou também o espírito, por que razão o homem conseguiria? Até quando iremos ignorar a realidade do espírito? Se a ciência deixasse de ver no homem o corpo físico como o mais importante, encontraria a nossa realidade: de que somos um espírito habitando temporariamente um corpo.
Fonte: Paulo da Silva Neto Sobrinho Set/2002.
NOTÍCIA 6
11.12.2005 - Doação de sêmen.
Em um dos melhores hospitais de São Paulo, um homem se tranca em um quarto. Precisa de privacidade total. Assiste a um filme erótico, folheia revistas com mulheres nuas e algum tempo depois, sai de lá. Missão cumprida.
Ele é um doador anônimo de sêmen. Ao redor do mundo, homens como ele ajudam a formar famílias que nunca vão conhecer, ou pelo menos não conheceriam. Até serem surpreendidos pelos avanços da internet.
Justin era filho único. Erin e Rebecca são gêmeas. Tyler e Mckenzie nasceram na mesma casa. Os cinco são filhos de três mães diferentes. Mas, este ano, descobriram que são todos irmãos.
"Encontrar irmãos que você nunca teve. Quais as chances de isso acontecer? São as mágicas da ciência moderna”, diz Tyler.
As mães usaram esperma de um mesmo doador, o doador 66. Um assistente cirúrgico, como mostra a ficha da clínica na cidade americana de Denver. Com as informações básicas do perfil do doador, eles bisbilhotaram na internet e descobriram ser todos filhos do papai 66.
Erin diz que nem faz questão de encontrá-lo. "Estou satisfeita, tenho dois irmãos e duas irmãs", diz ela.
Ryan é filho único, mas calcula ter uns 15 ou 20 irmãos por aí. Ele tem apenas 15 anos e já está na faculdade de Engenharia Espacial. É um gênio da matemática, mas não consegue responder questões fáceis para a maioria das pessoas.
"Partes do meu rosto, como a testa, os dentes e o nariz não vieram da minha mãe. Se eu pudesse ver esses traços em outra pessoa, teria respostas", questiona ele.
Para ajudar o filho a encontrar o pai, também um doador anônimo de esperma, Wendy criou um site na internet. Usando os números nas fichas médicas, a página virtual já promoveu mais de mil encontros entre irmãos ou entre filhos e seus pais biológicos.
"Nos próximos dez anos, vai crescer a onda de crianças que buscam respostas nos bancos de esperma", diz uma especialista.
Pode ser o fim do anonimato dos doadores, a maioria estudantes universitários que faturam cerca de US$ 600, mais de R$ 1.300, para ajudar casais ou mulheres que não podem engravidar. Só um banco calcula ter fornecido esperma suficiente para produzir 750 mil crianças. Diante do avanço dos testes de DNA e da internet, o dono do banco se rende.
“Já não posso mais garantir o anonimato", diz ele.
Há poucas semanas, um rapaz de 15 anos conseguiu, com a ajuda da internet, o que Ryan tanto deseja. Primeiro, forneceu seu DNA a um serviço virtual de buscas de familiares, uma espécie de banco de dados genéticos. Nove meses depois, foram localizados dois homens com material genético compatível com o dele.
Com os sobrenomes que eram raros e as informações que a mãe tinha do doador, o rapaz acessou um outro site de buscas e chegou ao endereço do pai biológico.
Você ganha um dinheiro a mais na época da faculdade e, 15 anos depois, um adolescente bate na sua porta e diz: “Olá, papai!”. A história do jovem americano assustou doadores de sêmen em todo o mundo e levantou uma discussão: afinal, uma criança gerada a partir de uma doação anônima de sêmen tem direito de conhecer o pai biológico? Na Inglaterra, há oito meses, este direito virou lei.
A partir de abril deste ano, filhos gerados com sêmen de um doador poderão, ao completar 18 anos, ter acesso a informações sobre o pai genético.
Em Londres, a coordenadora de um instituto público de orientação sobre doação de óvulos e sêmen garante: mesmo que seja identificado, o doador não tem responsabilidade legal, nem financeira sobre a criança gerada com seu sêmen.
Difícil agora é convencer os ingleses a arriscar uma paternidade indesejada. A nova lei afugentou os universitários. O perfil do doador passou a ser basicamente o pai de família solidário.
“Isso é o que me move de estar aqui, saber que eu estou ajudando alguém”, fala um doador.
No Brasil, as doações de sêmen são, além de anônimas, voluntárias.
“Na realidade, eu não estou doando uma criança, um filho meu. É simplesmente um esperma que depois vai ser gerado”, acredita José Antonio Sarahan, empreiteiro, doador de sêmen.
José Antonio doou sêmen há três anos e fala de frente para deixar claro: o anonimato não é para o gesto de doar, é para o que virá a partir dele.
“Eu não quero saber como foi, para quem foi, quando foi”, comenta ele.
Se depender da lei, que garante sigilo total, doadores brasileiros podem ficar tranqüilos.
“Nós não oferecemos informações como data de nascimento, local de nascimento, curso que foi feito, não há nenhuma possibilidade de encontrar o doador genético dessas crianças que estão nascendo”, avisa Vera Feher Brand, coordenadora de banco de sêmen.
“Eu continuo me sentindo seguro para ser um doador”, afirma um doador de sêmen.
Fonte: Globo.com
NOTÍCIA 7
Valério Propato.
Há 200 homens no Brasil que fazem parte de uma lista sigilosa do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Eles são identificados por números. Cada número vem acompanhado de informações sobre a religião a que pertencem, hobbies, profissão, tipo sanguíneo, raça, origem étnica, cor da pele e dos olhos, textura do cabelo, altura, peso e constituição óssea. Para figurar no arquivo do hospital, eles não podem manter relações homossexuais nem ter mais de quatro parceiras ao ano. Também devem preencher um requisito biológico de extrema importância: ter pelo menos 60 milhões de espermatozóides por mililitro de sêmen, 40 milhões a mais que a média dos brasileiros. Além disso, mais da metade de suas células sexuais deve ser móvel, ágil. Esses homens ganharam dos médicos a qualificação de superférteis e estão classificados na listagem do hospital como doadores de sêmen. Assinaram um contrato de doação voluntária de seus gametas para inseminação em mulheres de maridos estéreis. Regra do jogo: manter-se no anonimato e nunca, nunca mesmo, tentar ter acesso à identidade do casal e à criança que foi gerada.
Graças a eles, 170 mulheres deram à luz nos últimos dez anos. Há ainda 100 casais em vários Estados submetendo-se ao tratamento de inseminação. Aceitam com excessiva racionalidade o fato de que jamais poderão conhecer o rosto do filho que ajudaram a gerar e tampouco de sua mãe. Doam sêmen para ajudar um casal em dificuldades; repassar o que têm em excesso e com orgulho. Doam por narcisismo ou por puro instinto reprodutor. Em 1996, o administrador de empresas V.J., 31 anos, foi visitar um amigo internado no Hospital Albert Einstein e deparou-se com um cartaz: "Ajude a completar a felicidade de um casal. Doe sêmen." V.J. pensou: "Por que não? Sou bonito, inteligente e equilibrado. Achei que poderia dar uma contribuição para a humanidade." V.J. fez 12 doações ao Banco de Sêmen do Albert Einstein. Nesse meio tempo, apaixonou-se e casou-se com a estudante L.C., com quem pretende ter dois bebês.
Por precaução, congelou cinco amostras de seu sêmen para algum imprevisto. "Levo muita bolada no futebol. Se no futuro isso prejudicar minha fertilidade, já tem estoque." L.C., a esposa, aprovou, mas tem ciúmes. "Ela acha que tem alguém por perto durante a coleta de sêmen. Fico numa salinha isolada, com revista pornográfica e filmes de vídeo para me estimular. Ela me acompanha, mas não pode participar, só assistir", brinca V.J.
Como V.J., o corretor de imóveis E.F.C., 41 anos, também gostaria de ter muitos filhos. Já é pai de três – uma menina de sete e dois meninos de seis e três anos, mas deixou uma amostra de seus gametas no laboratório do Albert Einstein. "Se pudesse, casaria com dez mulheres e teria 200 filhos. Infelizmente, temos que reprimir nossos instintos." Se depender do seu material genético E.F.C. garante que seus filhos vão ter saúde de aço. "Nunca fiquei doente. Sou forte. Me joga na selva para você ver como eu sobrevivo", diz o corretor. Na opinião dos sexólogos e psicólogos, não é difícil entender o desprendimento dos doadores em relação a herdeiros genéticos que eles não irão conhecer. Na verdade, eles se sentem mais reprodutores do que pais. Esse sentimento aumenta ainda mais depois que eles passam no teste do espermograma e descobrem ser portadores de uma taxa de células sexuais acima da média. "A sensação de paternidade na espécie humana é cultural, não é instintiva. A mulher é capaz de identificar o óvulo com a sua maternidade. Mas o homem não relaciona seus espermatozóides com filhos. Eles são uma demonstração de virilidade", salienta o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana, Nelson Vitiello.
A doação do engenheiro D.G., 43 anos, casado, pai de três filhos, permitiu o nascimento de mais três nenês. Não se sente nem um pouco pai das crianças. "Pai é quem cria. Eu os doei. Não são mais meus", diz D.G. A decisão de doar veio a reboque de um planejamento familiar. Ele e a esposa decidiram não ter mais filhos e ele se submeteu a uma vasectomia. Antes da operação, o casal quis fazer uma boa ação. "Tanta gente quer um filho. Doar sêmen para mim é um ato humanitário", observa D.G.
O advogado e doador P.M., 30 anos, também é superfértil. "O médico disse para a minha mulher não deixar nem eu piscar que ela engravida. Esse foi um dos motivos que me convenceram a fazer a doação", diz. A exigência de homens superférteis tem uma razão. Como o sêmen é congelado em botijões de nitrogênio a 196 graus negativos, muitas células não resistem à baixa temperatura. Os médicos contam de antemão com uma perda de 40% a 50% dos espermatozóides e, por isso, procuram trabalhar com um índice superior ao da média. P.M. passou no teste com louvor (tem 180 milhões de gametas por mililitro) e ganhou a aprovação da esposa para doar seu sêmen. O problema é a abstinência sexual. São 48 horas antes de cada coleta, o tempo de os testículos se recarregarem. Mas quando a mulher de P.M., G.S., 28 anos, sente desejo, ele diz que é difícil resistir. "Eu digo: ‘Bem, vamos ver um vídeo, comer um fondue.’ Não tem jeito. O negócio é deixar a coleta de sêmen para outro dia. A caridade começa em casa." Foi o amor ao próximo que inicialmente levou P.M. ao Hospital Albert Einstein. Ele se mostra ainda mais sensível ao sofrimento das mulheres. "Não sou contra a adoção, mas, para a mulher, ter seu próprio filho e ver a barriga crescer cria um vínculo muito mais forte com o bebê", teoriza P.M.
Pelo menos 15% dos casais em todo o mundo têm dificuldades de ter um bebê; 40% das causas se devem à infertilidade masculina. "Precisamos ter opções para os casais que nos procuram. Eles querem bebês com caracterísiticas físicas compatíveis com as suas", explica o coordenador da Unidade de Reprodução Humana do hospital, Sidney Glina. Mulheres sem parceiros fixos não podem recorrer ao serviço. O Banco de Sêmen paulista é o único regulamentado para fornecimento de sêmen às cerca de 30 clínicas de fecundação assistida instaladas no Brasil. Ele só aceita doadores de 18 a 40 anos e a coleta é imediata. O sêmen, no entanto, só pode ser utilizado depois de quatro meses, prazo para realização de testes sorológicos. Cada doador fornece até 12 amostras de sêmen, cada uma suficiente para seis palhetas (tubos da espessura de uma carga de caneta). Para cada inseminação, são utilizadas de uma a duas palhetas. O banco estoca 500 amostras – cerca de três trilhões de espermatozóides.
Não há no Brasil nenhuma lei sobre a doação de sêmen. A única legislação sobre o assunto se resume a uma resolução do Conselho Federal de Medicina, datada de 1992. Ela fixa normas éticas para utilização das técnicas de reprodução assistida e doação de gametas. O Conselho Federal de Medicina proíbe o caráter comercial da doação. Embora nos Estados Unidos paguem-se até US$ 100 por amostra, no Brasil a doação é voluntária. O conselho também tratou de limitar o número de gestações para evitar riscos de consanguinidade. Um doador não pode produzir mais que dois bebês, de sexos diferentes, numa área de um milhão de habitantes.
Os doadores do Albert Einstein podem ser papais até cinco vezes, um índice considerado seguro para uma população de dez milhões de habitantes. "Além disso, evitamos fazer mais de duas gestações de um mesmo doador no mesmo Estado", observa a coordenadora do Banco de Sêmen, Vera Beatriz Feher Brand. Mas e se, por ironia do destino, duas pessoas de sexo oposto e material genético de mesmo doador se encontrarem e se apaixonarem? E se um filho descobre que seu pai é um doador anônimo e resolve procurá-lo e exigir pensão? E se o pai adotivo rejeitar o filho no futuro? Embora assinem um contrato onde, em outras palavras, prometem esquecer da existência do filho, é óbvio que uma série de dúvidas aparecem na cabeça dos doadores. Mas elas são rápida e friamente abortadas.
"São as regras do jogo. Se pensar muito não dá certo. Não podemos nos envolver. Tem que ser uma coisa mecânica. Se começar a refletir muito, vai aguçar a curiosidade", diz. E.D.V., bancário, 24 anos, namorada firme e projetos de casamento. "Vi a angústia de minha prima quando ela queria engravidar e não conseguia. Foi então que decidi doar sêmen", conta E.D.V.
Fonte: Isto È